Ansiedade, Fomo, Qualidade de vida

FOMO: O MEDO DE ESTAR “PERDENDO ALGO”.

Publicado em 29/10/2026 · Por Tatiana de Oliveira Paes

FOMO: O MEDO DE ESTAR “PERDENDO ALGO”.

FOMO: o medo de estar perdendo algo e a ansiedade de precisar viver tudo

Em uma sociedade cada vez mais conectada, na qual viagens, festas, conquistas profissionais, relacionamentos e experiências são compartilhados em tempo real, muitas pessoas têm experimentado uma sensação constante de que estão perdendo alguma coisa. É nesse contexto que ganha destaque o FOMO, sigla para Fear of Missing Out, expressão em inglês que significa, em tradução livre, “medo de estar perdendo algo”.

O termo descreve a sensação de ansiedade ou desconforto diante da possibilidade de outras pessoas estarem vivendo experiências interessantes, importantes ou prazerosas das quais não estamos participando. Embora não seja um diagnóstico psicológico, o FOMO está associado à comparação social, à necessidade de pertencimento e à preocupação excessiva com aquilo que acontece fora da nossa própria realidade.

As redes sociais podem intensificar esse fenômeno, especialmente porque permitem acompanhar constantemente os acontecimentos da vida de outras pessoas. Ao visualizar viagens, eventos, encontros, conquistas e momentos de lazer, podemos desenvolver a impressão de que todos estão aproveitando mais a vida, enquanto nós estamos ficando para trás.

Na minha experiência como psicóloga, percebo que o FOMO pode ser especialmente difícil para pessoas que apresentam insegurança, baixa autoestima, necessidade elevada de aprovação ou dificuldade de lidar com a possibilidade de desagradar e ficar de fora. Nesses casos, a comparação com a vida alheia pode desencadear sentimentos de inadequação, frustração, inveja, tristeza, irritabilidade e ansiedade.

Um aspecto importante é que, muitas vezes, a pessoa deixa de avaliar se realmente deseja participar de determinada experiência e passa a agir pelo receio de perder uma oportunidade, ficar de fora de um grupo ou não acompanhar o que os outros estão vivendo. Assim, escolhas que deveriam estar relacionadas aos próprios desejos e prioridades passam a ser guiadas pela comparação e pela necessidade de pertencimento.

Uma das formas de lidar com o FOMO é desenvolver uma relação mais consciente com as redes sociais e, principalmente, com as próprias escolhas. É importante questionar: eu realmente quero estar nesse lugar ou estou indo porque tenho medo de ficar de fora? Essa experiência faz sentido para mim ou estou tentando acompanhar o ritmo de outras pessoas?

Também é importante resgatar atividades que proporcionem satisfação e significado na vida cotidiana, fortalecer os relacionamentos presenciais e aprender a aproveitar os momentos sem a necessidade de registrá-los ou compartilhá-los.

Precisamos compreender que a vida envolve escolhas e, consequentemente, renúncias. Não é possível participar de todos os eventos, conhecer todos os lugares, acompanhar todas as tendências ou viver todas as experiências. E isso não significa que estamos vivendo menos ou aproveitando menos a vida.

Na psicoterapia, trabalhamos aspectos como autoestima, crenças relacionadas à aprovação social, comparação, necessidade de pertencimento e dificuldade de lidar com frustrações. O objetivo é ajudar a pessoa a desenvolver mais autonomia emocional para fazer escolhas de acordo com seus valores e necessidades, sem que o medo de ficar de fora determine suas decisões.

Afinal, viver bem não significa estar presente em tudo o que acontece, mas conseguir reconhecer o que realmente faz sentido estar presente na sua própria vida.

Conteúdo informativo. Não substitui avaliação ou acompanhamento profissional individualizado.